
Foto: Rahime Gül, Pexels
Desenvolvi minha cultura, meu discurso escrito e aumentei meu vocabulário não só lendo os grandes clássicos ou livros “best-seller”, mas também a partir de menos cotadas colunas de diversos jornais como Zero Hora, Correio do Povo e a extinta Folha da Tarde, dentre outros.
Isso incluiu crônicas, artigos, poemas, contos e outras formas de textos de escritores e jornalistas Luís Fernando Veríssimo, Mário Quintana, Rui Carlos Ostermann, Juremir Machado, Antônio Hohlfeldt, Cláudia Laitano, Eliane Brum, Marta Medeiros, Tatata Pimentel, Moacir Scliar, Sérgio Jockymann, Barbosa Lessa, Jaime Caetano Braun, Aparício Silva Rillo, dentre tantos que li nos periódicos gaúchos em diversas épocas.
Hoje, o panorama é entristecedor. O meu contato com a nova geração me revela um texto superficial, sem estilo próprio, de temáticas comuns até tolas, fofocas ou opiniões genéricas, um amontoado de palavras. Raros jornalistas reclamam por uma regulamentação que exija um curso superior para a profissão, em um mercado que não se preocupa mais com isso. O objetivo é mais que o lucro, é se manter vivo.
Enquanto isso, o emburrecimento e empobrecimento mental corre solto pela mídia, que migrou de sua missão de interpretar os fatos para oferecer entretenimento. Isso me parece muito óbvio na crônica esportiva, ao menos aqui do Rio Grande. Foi-se o tempo em que o que valia em um texto jornalístico era a QUALIDADE DO CONTEÚDO.
Certamente isso já se reflete ou é motivado pelo embrutecimento da sociedade, movida pela instantaneidade e superficialidade das redes sociais. Não duvido que no futuro os jornais sejam apenas como os antigos telégrafos de cuspiam manchetes e que os escritos mais profundos sejam “relegados” a uma pequena parte da população que ainda insiste em ver o ser humano como um animal que persegue uma evolução não só tecnológica, mas cultural.